Sim, decidi começar um blog com “era uma vez”. Mas é porque eu tenho um caso de amor com clichês: você precisa ser muito, muito bom, pra se tornar um clichê. Pois bem.

Era uma vez um blog. Meu blog, no caso, e isso é quase como um retorno a uma adolescência que já foi há mais tempo do que gosto de admitir. Talvez seja caso de crise de meia idade precoce. Talvez seja o caso de algum tipo de nostalgia pelo que passou. Talvez seja só o caso de um tédio crônico com uma e outra coisa. Talvez, talvez, talvez.

Talvez.

Talvez seja tudo isso junto, e na verdade é tudo o mais. É só um blog.

É um blog que já nasce sem pretensão de sucesso, porque não vai ser um blog bonito. A preocupação aqui não é o layout. Nem o conteúdo, na verdade. A ideia é simplesmente fazer um brainstorm intermitente sobre qualquer assunto que possa me parecer interessante. Um exercício inconstante de narcisismo intelectual, em tempos de crise paradigmática da auto-crítica e da noção do ridículo. Se as redes sociais trouxeram uma valiosa lição é a de que podemos falar qualquer coisa sobre qualquer coisa e ainda empurrar goela abaixo de quem tiver o azar de estar na nossa timeline. Obrigado, internet, por ser um mundo tão bonito.

E por isso tudo é que comecei com “era uma vez”. Era uma vez um blog cujo autor (desconhecido e despreparado. Ou desconhecido pois despreparado, sei lá) decidiu que já tinha passado da hora de dar à luz o que pensava, porque pensar sozinho não tem lá muita graça. Portanto, daqui pra frente, além de um ou outro desabafo (às vezes é gostoso ficar revoltado com o universo e verborragiar. Sim, inventei a palavra.), o que vai ter aqui é um pouco de conversa de bar, crítica de arte e inspiração para o mundo. Futebol, política, religião, receita gourmet, piada de tiozão e história de terror. Vai ter de tudo, e vai ter até sinceridade. É só um blog, no final das contas, igual a todos os outros que tem por aí.

A proposta, afinal, é falar sobre amor e falta dele, otimismo, utopia e desconforto. É abrir a cabeça e o coração, brincar com as ideias (minhas e alheias), distorcer a gramática e deformar o dia a dia. Vamos ver se dá certo.

Pois bem. Era uma vez um blog.

Anúncios