Do corpo doído me olha de dentro; alma na fresta da porta.

Escuta bater?

“Tum-dum”? Desse jeito?

É sangue, é ar – respiração. É mais:

É vida que corre (escorre), do peito pro dedo.

Goteja, passeia; viaja. Sai do coração e cai no papel, rastro de tinta e evapora.

Não rima. Não chora. Que faz?

Imprime à caneta o silêncio que guarda pra si lá no fundo, ao alcance da vista, na palma da mão.

Espia; não convida pra entrar. Só tem um pedido:

“Me acolhe e me esquece, me lê e me esquece, me sabe e me esquece: de mim não me guarde, apenas esquece.”

Mas a saudade?

“Me sente e me esquece, o tempo encarrega.”

O corpo que acaba é lembrança e palavra, presente embrulhado, caixinha sem tranca, lá de dentro espiando passe o tempo que for.

Escuta bater? É a saudade na fresta da porta, lembrando “me esquece” pra não esquecer.

“Tum-dum”.

E volta.

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