A impressão que dava era que a história deles era felizes-para-sempre, com cara de infinito-enquanto-dure. Os amigos apostavam em mais dois anos, mas quem via de fora jurava ser caso de nasceram um pro outro.

Fato é que não ligavam. Se alguém perguntava como foi que se conheceram, desconversavam dizendo que “café quente ou chá gelado, todo dia é cada um”.

-E pro futuro?, tinha sempre quem insistia saber.

-Desse nunca soube, e você?

-Um copo de cerveja, um abraço sem jeito, uma música na cabeça, um adeus e um beijo.

Na poesia se achavam. Mal feita e discreta, igual flor no cabelo, o amor deles era o tipo de ninguém conhecer. Daí o mistério: na falta do que entender os dois viravam, pra gente, só imaginação.

-Algum segredo eles têm.

Devem ter.

E tudo bem.

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